A LUTA DO BEISEBOL PARA SER BRASILEIRO

Nosso querido Samuel, ao levantar dados para sua pesquisa, se deparou com uma reportagem feita pela Folha de São Paulo de 23/08/1976, ocupando uma página toda, Falando sobre os problemas do beisebol brasileiro, dos projetos para a popularização, e conta um pouco da história do esporte no Brasil (cuja a prática chegou a ser proibida durante a II Guerra Mundial). Aproveitem o material é muito bacana.

Folha de São Paulo, 23 de agosto de 1976

A luta do beisebol para ser brasileiro
Ter um número maior de praticantes fora da colônia japonesa é o
objetivo do beisebol brasileiro, que completa 50 anos de luta para
mandar uma equipe ao “mundial” juvenil de Caracas, em outubro.

Desde que chegou a São Paulo, trazidos por imigrantes norte-
americanos, há cinquenta anos, o beisebol nunca conseguiu se
transformar num esporte popular no Brasil. Ao contrário, chegou mesmo
a ser proibido durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, conta
com um grande número de praticantes na colônia japonesa (mais de
duzentos mil) e já conseguiu com equipes formadas exclusivamente por
nisseis algum destaque internacional, obtendo por cinco vezes o título
sul-americano.
Por problemas internacionais (houve uma cisão entre as entidades que
regem o beisebol: FIBA e AIBA), o beisebol brasileiro não tem
competido com equipes de outros países e a última vez que isso
aconteceu foi em 1974, quando o Toshiba (campeão amador do Japão) fez
uma apresentação no estádio do Bom Retiro.
A falta de intercâmbio, no entanto, não é a maior dificuldade deste
esporte – reconhecem os dirigentes. Na verdade, o beisebol se ressente
de uma maior popularização. E, para isso, ultimamente a FPB vem
realizando campanhas a fim de atrair o jogador brasileiro, não
descendente de japonês.
Por exemplo, o II Campeonato Brasileiro Infanto-Juvenil encerrado
ontem à tarde, no Estádio do Bom Retiro, havia apenas três jogadores
brasileiro. Também a falta de verba atinge o beisebol, o que é um
problema comum ao esporte brasileiro.
A competição de ontem poderia ter sido o primeiro passo na preparação
de uma equipe para o Campeonato Mundial Juvenil, que será realizado ao
mês de outubro, em Caracas. No entanto, foi apenas um torneio
disputado por seis equipes paulistas e sem muito interesse, já que o
mais provável é a não participação do Brasil no mundial.
“Não há verba” – explicou o presidente da Federação Paulista de
Beisebol, Issao Nishi – “pois o campeonato mundial foi marcado de
surpresa. Assim, não foi pedido auxílio financeiro ao CND com a
antecedência devida. Na verdade, necessitaríamos apenas das passagens.
De resto, nos viraríamos, como sempre”.
Para a ausência de mais times no II Campeonato Brasileiro, o
presidente da FPB alegou a inexistência de equipes representativas os
demais estados que possuem federações (Pará, Paraná, Mato Grosso, Rio
de Janeiro e a Liga gaúcha).
A opinião de Antônio Kunio Kuwahara – um dos coordenadores do torneio
– é um pouco diferente. Não que faltem times: “Falta realmente um
promotor financeiro para apoiar as despesas das equipes
participantes”. E realmente ficaria muito cara a viagem da delegação
paraense até São Paulo.
Mas não foi só a ausência de maior número de equipes que caracterizou
a competição. Faltou também um nível técnico melhor, segundo os
comentários dos próprios técnicos. O jogo de abertura, por exemplo,
demorou quase três horas pois as equipes de Ourinhos e Tupã não
conseguiam marcar ponto. No fim, Tupã alcançou a vitória por 1 a 0, no
décimo-oitavo “inning” (o jogo deveria ter apenas sete, mas acabou
sendo prorrogado sucessivamente até que surgisse um ganhador).
Alegre pelos cumprimentos que recebia, mas exausto pelo esforço
dispendido, o técnico Paulo Nakashima, de Tupã, comentou logo após a
árdua vitória que já era esperado um nível não muito elevado: “O tempo
para treinamento é pouco. O calendário é apertado. Enfim, não há tempo
adequado para a preparação”.
Já o técnico Massaharo Katsumoto, da equipe do Kanebo de São José dos
Campos, justificou de outra maneira a falta de uma técnica mais
apurada: “Falta força aos jogadores. Eles ainda são muito jovens. O
arremesso é lento e a batida não pega forte”.

Essa reportagem nos faz realmente voltar no tempo e imaginar as dificuldades da época. Muito Obrigado pela contribuição Samuel.

Cya people!

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